Alvo de polêmica sobre inclusão ou não na lista de espécies invasoras , a tilápia está ligada a quatro doenças que poderão exigir notificação no Brasil a partir do ano que vem. Elas são a iridovirose ( Megalocytivirus pagrus 1), infecção por tilapinevirus (vírus da tilápia do Lago), necroses nervosas virais e infecções por Parvovírus da Tilápia (TiPV). As citadas estão em meio a 35 doenças que deverão constar na lista oficial de notificação obrigatória em animais aquáticos, substituindo outra relação vigente desde 2015. As demais 31 dizem respeito a peixes de outras espécies, moluscos, crustáceos e anfíbios. A mudança será oficializada por uma portaria do Ministério da Agricultura e Pecuária que passa por consulta pública antes da publicação. Médico-veterinário formado em Mato Grosso do Sul e mestre em Aquicultura pela Unesp (Universidade Estadual Paulista) que faz gestão sanitária, dá formações e coordena pesquisas clínicas, Santiago Benites de Pádua avalia a atualização como importante, já que muitas das doenças relacionadas há 10 anos se tornaram endêmicas. Além disso, existem novas que, mesmo sem casos conhecidos no país, podem se instalar e levar à perda de produção. Mato Grosso do Sul já teve casos de iridovirose em cultivo na região da Bacia do Paraná, frisa Santiago. “Essa doença ocorre na tilápia no estágio larval e jovem. Provoca anemia e imunossupressão animal, levando à morte”, descreve. Quanto às necroses nervosas virais e infecções por Parvovírus da Tilápia, o Estado e o país também não possuem casos, porém, elas são reconhecidas como doenças emergentes que demandam atenção no setor. Prejuízo econômico – O Estado fechou 2024 como o quinto maior produtor de tilápia no Brasil, de acordo com a associação PeixeBR. Ainda segundo o especialista, a iridovirose e as outras três novas doenças que podem ter notificação obrigatória, não representam risco maior que o econômico. “Não são doenças transmissíveis para o ser humano. Elas causam prejuízo na produção, pois podem contaminar todo o cardume do produtor”, frisa. Apesar de o Brasil ser considerado livre da infecção por tilapinevirus, a doença letal atinge países como a Colômbia, além de países asiáticos, e preocupa o mercado brasileiro. “Nosso setor se preocupa muito em relação a ele. Causa bastante prejuízo. Aqui no Brasil, os produtores participam de programas de monitoramento e não temos registro”, fala Santiago.








